sábado, 4 de agosto de 2012

A Teologia da Prosperidade e o desprezo aos pobres

 "Não excluas o pobre, porque é pobre, não oprimas o fraco à porta da cidade. (Provérbios 22:22)


A ploriferação da teologia da prosperidade tem tomado proporções cada vez mais catastróficas. Nesses últimos dias soubemos de novos dados acerca do crescimento do número de evangélicos em nosso País. Porém, os líderes católicos alegam que o número de católicos praticantes tem aumentado cada vez mais
Contudo, glorificamos a Deus porque Ele tem arrebanhado as suas ovelhas. Sim, porque bem sabemos que em meio a tantos, Deus tem suas ovelhas.
É triste, mas temos que reconhecer que grande parte deste crescimento tem ocorrido em função de dois aspectos: o primeiro é o fato de que ser "gospel" está na moda no Brasil; há alguns anos atrás, no Brasil, se alguém dissesse que era crente, as pessoas arregalavam os olhos e o ridicularizavam, os crentes eram até chamados de "os bodes". Hoje as coisas estão bem diferentes. O segundo aspecto que tem favorecido este crescimento é justamente a onda da Teologia da Prosperidade. E são justamente estas igrejas que aparecem nos primeiros lugares de crescimento.

O que deve nos preocupar é exatamente esta questão. Cristo está às portas e vem buscar a sua igreja do meio das igrejas, porém, muitos estão distraídos com outras coisas que não a convicção de salvação, que não uma vida genuína de santidade e serviço ao Senhor. Muitos enchem a boca e dizem: "Sou servo do Senhor", porém, a maneira que se dirigem a Deus em suas orações negam que realmente se sintam servos em algum momento, pelo contrário, sentem-se como senhores de um Deus que, segundo eles, pode ser manipulado ao bel-prazer dos homens gananciosos por fama, status social, dinheiro e bens que o façam ter destaque no meio em que vivem.
Este é o grande perigo dos nossos dias; por isso Jesus disse: "Quão dificilmente entrárá um rico no céu." (Lc 18.24), e ainda: " Quando o Filho do homem vier, porventura achará fé na terra? (Lc 18.8) e que fé é esta? A fé que salva, a fé que crê sem barganhas, a fé que reconhece o senhorio de Deus e a pequenez e total dependência do homem, a fé incondicional.
Chegamos a um ponto, onde alguns chamados "pastores, apóstolos, bispos, etc" estão ridicularizando aqueles que são pobres; ser pobre agora é doença, é algo inaceitável, ninguém mais aceita permanecer nesta condição e ainda, fomentam a acepção de pessoas, quando dizem que o pobre é aquele que está em pecado, e o que prospera materialmente é o que está dentro da vontade de Deus, estão criando um padrão para o crente, que , na visão deles, tem que ser próspero financeiramente, caso contrário, algo está errado com ele. E ainda, um indivíduo como este que prega neste vídeo, passa a humilhar publicamente os pobres. Penso como se sentiram os irmãos que estavam ali ouvindo aquelas asneiras; se é que ele já não espantou dos seus "cultos" todos os menos favorecidos com esse tipo de sermão. Pessoas assim precisam ler a Bíblia e aprender com Cristo. O nosso Senhor Jesus sempre estava entre os pobres, nasceu entre eles, não se esquivou deles,antes os amou e pregou para eles também, e ainda mostrou que os que tem fome e sede de justiça; ele diz que os que não têm a justiça de Cristo em suas vidas são estes os mais pobres dos homens; e não aqueles que sentem fome e sede físicas. Logo, a pobreza material não é o pior dos males, mas a fome e sede de Deus por toda a eternidade, mas estas pessoas hoje em dia estão buscando saciar sua fome e sede e ganância pelas coisas terrenas, efêmeras, e estão se esquecendo de buscar o reino do céu, e o que é o reino do céu em nós? É amarmos sem acepção, nos sentirmos menores em honra em relação ao nosso próximo, mesmo que ele seja o menos favorecido financeiramente; e não o colocarmos em situação constrangedora, como faz este "pregador" do vídeo abaixo. Para ele o pobre é um lixo. Mas o texto bíblico lido por ele, nos mostra que o nosso Deus apenas enfatizou que não se esquecessem dos pobres que havia dentre eles, que não fossem tão gananciosos a ponto de não cuidar dos menos favorecidos; pois Deus sabe do quanto o ser humano é mau e egoísta; foi, portanto, necessário que Deus ordenasse estas práticas, para preservar os mais pobres; daí a prova de que era interesse de Deus a existência deles, a preservação da vida e da integridade deles, etc. E jamais o nosso Deus incentivou ninguém a humilhar os outros pelo fato de serem pobres; Deus abomina a injustiça social (Is 1), Nos ordena a socorrê-los, a Bíblia nos relata grandes homens, profetas de Deus que morreram pobres e doentes, e nem por isso deixaram de ser prósperos, que eram mais prósperos até do que estes que hoje ostentam suas belas casas, seus belos carros de luxo, seu sucesso financeiro; homens dos quais o mundo não era digno, segundo diz a Bíblia, como o profeta Eliseu, por exemplo.

Peço a Deus que haja no Brasil o verdadeiro avivamento, pois o que há por aí não pode ser avivamento, mesmo que alguns chamem por este nome por causa de aumento numérico; pois entendemos biblicamente, que o verdadeiro avivamento produz frutos dignos de arrependimento, e não produz homens amantes de si mesmos, de seu próprio ventre, de seu próprio umbigo; mas seu fruto serão homens rendidos aos pés do Senhor, reconhecendo-o de fato como SENHOR e agindo como tal, e levando pessoas a serem servas e não senhoras de Deus.

Deus, aviva a tua obra no meio dos anos! (Habacuque 3.2)


2 comentários:

Rosa Manuel disse...

Jesus disse em sua Palavra: eu vim para que tenham vida e vida com abundancia. Também está escrito na Biblia: se quiserdes e ouvirdes, comereis o melhor desta terra. Onde Jesus passava sempre havia cura dos doentes, multiplicaçao de paes e peixes. A teologia da prosperidade começou com Jesus.

Ana Chagas disse...

Olá, Rosa Manoel! Obrigada por participar deixando o seu tópico.

A verdadeira prosperidade e a Vida com abundância não consiste simplesmente no fato de ter bens, mas no fato de ser salvo e ter plenitude de alegria em Cristo. O próprio salmista diz no Salmo 73 que ficou perturbado com a prosperidade do ímpio, mas quando entrou no santuário do Senhor, viu o fim deles (Sl 73.1-19). Deus é o dono de tudo e distribui a quem quer tanto a justos quanto a ímpios, tudo vem dele. Mas os vendedores da ideia da prosperidade a oferecem como resultado apenas de quem vai para a igreja deles e que aceita os “desafios de fé” que eles fazem ao distorcer os textos bíblicos. A prosperidade financeira não começou na era de Cristo, como você afirma, mas sempre existiu, Deus sempre repartiu e reparte o que é seu com quem Ele quer, quer seja ímpio ou justo. Lembremos de Salomão, o qual pediu somente sabedoria de Deus para governar o povo de Deus, e recebeu aquilo que não buscava e em que não estava colocado o seu coração. O coração de Salomão agradou a Deus justamente porque não havia nele ambição alguma, senão o desejo de agradar ao Senhor no seu governo.
Voltando ao Novo Testamento, você diz que a Prosperidade começou em Jesus; pois bem, vamos ler juntas o que o próprio Senhor Jesus diz acerca da multiplicação dos pães e peixes: “Jesus respondeu-lhes e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna; a qual o Filho do homem vos dará; porque a este, o Pai, Deus, o selou.” (João 6.26-27). Observe que o objetivo de Jesus não era os saciar fisicamente, nem como você interpreta ter iniciado a teologia da prosperidade, mas sim, de mostrar a eles que a sua verdadeira necessidade era espiritual e não material esta sim é a verdadeira prosperidade, e não o que tem sido propagado por aí afora.
Quanto ao texto de Isaías 1.19, podemos compreender claramente que naquele contexto, Deus se dirige ao povo que estava totalmente rebelde e afastado da comunhão com Deus; o Senhor cobra deles o verdadeiro culto, pois eles compareciam na solenidade apenas por cumprir tabela, mas nada tinham com Deus; Deus lhes mostra que se eles se voltassem para Deus genuinamente, passariam a gozar do que havia na terra. Porém, este único trecho não nos dá base bíblica para afirmarmos que se não prospera é porque está em pecado, nem que quem está prosperando é porque está em obediência, pois isso é relativo. Frente a este trecho, há vários outros trechos que nos asseguram de que Jesus viveu na pobreza, seus discípulos também, alguns profetas foram pobres, Paulo teve momentos de muita escassez, alguns cristãos da igreja primitiva também foram pobres e necessitaram de ofertas voluntárias, etc. cristãos adoeciam e outros hoje também adoecem, mesmo estando em comunhão com Deus, permanecem pobres, mesmo sendo fiéis ao Senhor. Jó, fora um homem rico cujo coração não se apoiava naquilo que possuía, e sim, em agradar a Deus e em manter sua família em fidelidade ao Senhor; Deu permitiu que o diabo tirasse tudo de Jó, inclusive os seus filhos mas ficou bem claro que Deus permitiu que em meio a tudo aquilo pudesse expressar onde verdadeiramente estava posto o seu coração, e que com certeza não era naquilo que ele possuía. Não pecamos em ter bens materiais, se Deus nos dá; amém. Se Ele não der, amém também. O nosso coração deve buscar em primeiro lugar o reino de Deus e não aquilo que Ele pode nos dar, ou, segundo os adeptos da teologia da prosperidade, “Ele tem que nos dar”.

Deus continue te abençoando! Volte sempre!