sexta-feira, 18 de maio de 2012

Todo grupo religioso que cresce é de Deus?

Texto: Atos 5.17-39

Estejamos atentos ao que ouvimos por aí. Muitos têm associado o crescimento exagerado de determinadas igrejas como sendo algo "de Deus". Alguns chegam a afirmar: "Se não fosse de Deus não cresceria tanto." Será mesmo?
Após a ressurreição de Jesus Cristo, quando os Apóstolos começaram a proclamar a Mensagem do Reino, o Sumo Sacerdote e os Saduceus estavam perturbados com a situação e tomaram-se de inveja; por isso, lançaram mão dos Apóstolos e os encarceraram na prisão pública. Ao saberem que haviam sido libertos de maneira sobrenatural durante a noite, ficaram perplexos, e mandaram buscá-los sem violência no Templo, onde já estavam ensinando novamente com intrepidez. Ao serem interrogados, eles disseram: "Mais importa obedecer a Deus do que aos homens." Ao escutarem tal afirmação, se enfureceram ainda mais a ponto de querer matá-los. Foi quando se levantou o fariseu Gamaliel, o qual era Mestre da Lei e respeitado por todos, e disse-lhes: "Israelitas, atentai bem ao que ides fazer a estes homens. Porque antes destes dias, se levantou Teudas, insinuando ser ele alguma coisa, ao qual se agregaram cerca de quatrocentos homens; mas ele foi morto, e todos quantos lhe prestavam obediência se dispersaram e deram em nada. Depois deste, se levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e levou muitos consigo; também este pereceu, e todos quantos lhe obedeciam foram dispersos. Agora vos digo: dai de mão a estes homens, deixai-os; porque, se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas se é de Deus; não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus." E todos concordaram com ele.

Onde quero chegar citando este trecho de Atos 5.17-39?

 O que podemos concluir é que aqueles homens mediam o que vinha de Deus ou não pelo crescimento numérico, e não pelo teor daquilo que pregavam. Gamaliel citou outros homens que vieram antes de Jesus de Nazaré, e que também atraíram seguidores após si. Mas algo que podemos notar é que eles não levaram em consideração que tipo de mensagem aqueles homens pregavam anteriormente ou qual era o seu objetivo em fazê-lo. O que não sabiam era que o diferencial entre aqueles homens e Jesus Cristo era exatamente a Mensagem. A mensagem que Jesus trouxe não foi nada novo além do que já estava registrado nas Escrituras; porém, ele veio trazer a interpretação correta da Lei, veio cumprí-la, e não formar um exército de revoltosos contra a Lei. Jesus veio mostrar qual a razão de ser da Lei e quais são os dois grandes mandamentos que resumem em si toda a Lei; veio mostrar que a salvação não está no legalismo, mas na misericórdia para com o próximo e em um coração que experimentou o novo nascimento, isto é, a regeneração vinda do próprio Deus. O que aqueles homens no Sinédrio não sabiam é que agora se tratava do próprio Deus que se fez carne, para o qual apontava toda a Escritura, desde Gênesis até a revelação do Verbo, do Evangelho; portanto estavam diante dos Apóstolos que traziam nada mais, nada menos do que a Mensagem do próprio Deus!
Não se pode frear o crescimento da Obra de Deus, isso é verdade. Mas é importante, não apenas o crescimento numérico, mas igualmente o crescimento qualitativo, de vidas que são verdadeiramente comprometidas com Deus, que já não se amoldam ao sistema que jaz no maligno, o qual enfatiza o TER e não o SER.
Mas não podemos negar que também existe o crescimento que não é saudável, que consiste em uma anomalia. Neste tipo de grupo religioso o que há é reconhecido como um inchaço, mas não há verdade, não há essência em Deus, Jesus não é o centro desta reunião; antes, nem está presente naquele Culto, porque se reunem "em Seu Nome", mas não tendo-o como um Nome a ser adorado, mas como um Nome que dá lucro e IBOPE. O que chamam de "culto" pode até ser culto, mas é um culto ao próprio homem, às vontades e caprichos humanos, quando esta ênfase deveria estar na anulaçao do EU deste homem em detrimento da glória de Deus por meio de uma vida que evidencia frutos de arrependimento, os quais só podem ser gerados por aquele que nasceu de novo em Cristo, e não é isso o que encontramos onde se prega a teologia da prosperidade.
Há ainda outras anomalias, que nem sequer o reconhecem como Senhor, mas que têm crescido espantosamente, como o Islamismo dentre outros. Então podemos chegar à conclusão óbvia à qual aqueles homens no Sinédrio não chegaram: Nem todo movimento ou igreja que cresce é, necessariamente "de Deus". Mas toda igreja onde Cristo verdadeiramente se faz presente e é o centro do seu culto tem crescimento, tanto numérico quanto qualitativo, dentro delas há vidas comprometidas com o Reino.

Portanto, não nos enganemos, nem tudo que cresce pode ser chamado de igreja do Senhor; como disse Lutero na frase acima: "[...] mesmo que faça chover milagres todos os dias."