segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Idolatria e Estrelismo Gospel: Onde tudo começa


Alguém conversando com um irmão da igreja...

-Vou te falar a verdade, só gosto de ir à igreja quando sei que o culto vai ser bom. Porque se for o irmão "Joaquim" quem vai pregar, sinceramente... Ninguém merece... E se for a "Marcela" dirigindo o luvor... Misericórdia!!... Não aguento mais a voz dela, é tão desafinada, e os hinos que ela gosta de cantar... Sinceramente... São sempre os mesmos... -Me avisaram que o som da igreja quebrou... já imagino o louvor como vai ser ruim...

Alguém ao telefone, falando com uma irmã...
-Alô... -... - Para o Show do cantor "..."? Com certeza!!!! Quanto é a entrada? -... -O preço está um pouco salgado, mas vale a pena, eu vou com você sim. -... -Para o Aniversário da Igreja hoje? Não sei se vou... Não me falaram ainda quem vai estar lá... -... -É mesmo? O cantor "..." e a cantora "..."? Verdade? E quem é o Pregador? -... -Ai, eu amo as mensagens daquele Pastor famoso... Eu vou sim, me espera, que eu passo por aí! A Pazzz!


Será que estes diálogos são algo incomum? Com certeza não. Espantoso? Talvez... Mas esta é a realidade que permeia o meio evangélico hoje em dia. Muitas vezes até criticamos os cantores e pastores que estão em evidência, e os chamamos de soberbos e gananciosos, e realmente o são mesmo. Não quero generalizar, pois conheço cantores e pregadores que permanecem fiéis ao seu chamado e que não se deixaram contaminar pela ambição e pelo estrelismo; mas até poderíamos usar aqui um ditado popular que diz: "Já não se fazem mais cantores e pregadores como antigamente". Alguns cantores "se convertem" e passam a ser cantores "Gospel", só muda o slogan, mas continuam a cantar o que cantavam antes, vão em programas de TV cantar músicas que não têm nada de Evangélicas; continuam dançando como antes, ou ainda fazem coisa pior, e ainda alegam: "Isto é apenas um trabalho profissional"... Será que você nunca ouviu frases semelhantes a esta em alguma entrevista com alguns destes famosos gospel? Notamos que há uma banalização do que realmente é Servir a Deus, e do que é ser alguém separado para Deus. Hoje as pessoas tem buscado a promoção pessoal, e não a de Cristo. O Apóstolo Paulo certa vez disse: "Em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus." (Atos 20.24), hoje se diz: "A minha vida é muito preciosa, eu sou o máximo, tenho que usufruir do MEU sucesso, não posso estar hospedado em qualquer lugar, nem comer qualquer comida..." Precisamos ler ainda Fp 4.11 e em II Co 11.16-30, onde Paulo relata que aprendeu estar contente em qualquer situação, e narra tudo quanto se dispôs a suportar por amor de Cristo e das almas (vidas) dos irmãos aos quais ele conduziu a Cristo. Hoje as pessoas não querem mais sofrer, não conseguem mais se submeter a situações de precariedade com o propósito de fazer Cristo conhecido. O estrelismo Gospel chegou ao ponto de hoje vermos cantores super exigentes na hora de fechar um contrato para um "Show" (porque isto nem pode ser considerado um culto, e se for um culto, precisamos estabelecer a quem é tributado este culto), eles têm as mais esquisitas exigências, imitam o que fazem muitos cantores famosos que não são evangélicos. Exigem, além de um cachê altíssimo (falamos aqui de quantias absurdas) os tipos de fruta, marca de água mineral, hotel 5 estrelas, e por aí vai... Pastores que antes (pelo menos enquanto não se tornaram pastores de nome e renome) não se importavam se iriam dormir numa cama ou em um sofá apertado, se numa pousada simples ou na simples casa de uma irmã hospitaleira, que faria uma comidinha simples, porém, com muito amor... Não, Eles não se importavam com estes efêmeros detalhes, contanto que cumprissem o propósito da sua ida àquele lugar onde fora levar a Mensagem de Cristo, a qual receberam de graça; agora se dão ao luxo de exigir até mesmo as toalhas felpudas na cor escolhida, etc. Nada contra gozar de certo conforto, se a igreja que lhe convida voluntariamente lhe oferece, por ter condições financeiras disponíveis; o problema está justamente no abandono da humildade, a qual é esperada por parte de um "servo" de Deus ou de uma "serva" de Deus. Temos visto o estrelismo Gospel subindo à cabeça daqueles que estão estourando nas paradas do sucesso, cantores que antes faziam questão de gravar com gravadoras cristãs, hoje aceitam contratos com gravadoras seculares, que tem oferecido um melhor marketing, melhores vendas, mais dinheiro, mais IBOPE, etc. Cabe ainda aqui a observação acerca de donos de gravadoras que, mesmo sendo evangélicos, falharam com aqueles que contrataram o seu serviço, pelo que também prestarão contas a Deus. Mas a questão aqui é: Onde começa este problema? Quem afinal é o culpado? Lendo o diálogo que dá início a este Artigo percebemos claramente que a origem de tudo isso é o próprio coração do homem, o qual é, por natureza inclinado ao pecado, tendencioso à soberba, ao orgulho, ao egocentrismo, à auto-suficiência, ou, como diria o autor de um Blog que visitei "ao umbigocentrismo". O (a) cantor (a) ou pregador (a), sutilmente, no seu íntimo, busca aprovação externa, ele simplesmente não se satisfaz apenas em saber que Deus está lhe vendo, lhe observando e lhe sondando, e se agradando ou não do seu louvor ou da sua pregação; ele (ela) faz questão de buscar esta aprovação dos outros, daí, busca os elogios, aceita a criação dos fã-clubes, a camisa tirada e girada no ar freneticamente, enfim, o extravasamento da idolatria e das glórias humanas. É quando surge, se consciente ou inconsciente mente eu não sei, aquela filosofia: "O produto mais caro é o mais valorizado".Todos nós bem sabemos que muitas pessoas fazem o que podem e até o que não podem somente para ter um tênis de marca, o mais caro, porém há muitos tênis bem mais baratos e que são bem mais duráveis que aqueles pelo qual pagaram "o olho da cara". Isto é apenas ao resultado da lavagem cerebral que a propaganda faz em nós, ou pelo menos naqueles que se deixam levar por elas. É triste reconhecer isto, mas aquilo que era pra ser encardo como um Ministério santo (separado para Deus) hoje é tido como mera mercadoria. As pessoas gastam muito dinheiro para sustentar o luxo das estrelas do mundo Gospel, mas pouco se tem investido na Obra Missionária. Este é um dos fatores que tem causado a decadência no meio evangélico.
Eu, particularmente, não pago para ir a "Shows Evangélicos", principalmente daqueles que sei que praticam esse tipo de coisa. Há casos de exigências das "Estrelas Gospel"que quando eu soube fiquei estarrecida. Não citarei nomes aqui por questão de ética, mas cada um sabe o que tem feito e como tem encarado o Ministério da Palavra e do Louvor.
O problema do estrelismo Gospel, além de estar na
os próprios cantores e pregadores que têm ido após o lucro, também está nos próprios irmãos que idolatram a homens e não adoram a Deus. Que criam fã-clubes de cantores e de Pastores, vão aos seus Shows ou Congressos, onde gritam, pulam, ficam loucos diante de uma banda Gospel ou mesmo diante de um grande pregador; mas no culto nos seus templos, não têm coragem sequer de abrir a boca para dar um "Glória a Deus!" ou mesmo para participar do louvor cantado, e na pior hipótese, nem sequer têm forças para ficar de pé, ou de permanecer de pá durante o período de louvor. Isto não é incoerente? Por que para uma Banda, ou para um cantor, eu tenho condições de pagar caro, ficar em pé até mesmo durante todo o "Show", aplaudindo e "berrando" e em um culto na minha igreja não sou capaz de cultuar a Deus? Esta é a maior prova de que não tenho cultuado a Deus, pois, quando vivemos uma vida de Culto a Deus, não será sacrifício participar ativamente do culto no templo ou mesmo no lar daquele irmão bem simples, já que ali está havendo genuinamente a continuidade do nosso culto contínuo, que é o culto com a nossa própria vida. Será que o culto só é bom quando é recheado de estrelas Gospel da música ou da Pregação? Será que as pessoas já pararam para pensar em qual é o culto que é realmente aceitável diante de Deus? Não estou dizendo que a sua igreja não possa mais convidar um cantor ou pregador que tenha uma vida exemplar; sou contra o Pragmatismo exacerbado e irracional, onde se busca trazer "aquela estrela da música ou da Pregação Gospel" a todo custo, mesmo que seja um preço absurdo, fomentando ainda mais a idolatria no meio do prórpio "povo de Deus". Pensemos nisso!
Que Deus abençoe o seu remanescente! Que Deus encontre em mim e em você pessoas que buscam ser exemplo dos fiéis, pessoas que sejam referencial para os que nos rodeiam, e para aqueles que chegam em nossas igrejas esperando encontrar em pecadores perdoados e justificados, verdadeiros adoradores do Deus vivo, pessoas que brilhem, mas com aquele brilho humilde, aquele brilho do qual Jesus falou quando disse que devemos brilhar de tal forma, que levemos os outros a, olhando para nós, glorifiicarem a Deus por meio das nossas obras, que devem ser, segundo diz Tiago, resultado de uma Fé viva. Se as nossas obras não direcionam a glória para Deus, então há algum problema com a fé que origina estas obras. Se é uma fé morta, será inoperante, e tudo aquilo que for produzido por ela não conduzirá a glória para o Pai Celestial. (Mateus 5.16; Tiago 2. 14-17)
Deus tenha misericórdia de nós!

2 comentários:

Anônimo disse...

essas coisas realmente acontecem, devemos orar para que Deus venha mudar isso em todo povo de Deus

ANTONIO ARAUJO disse...

parabéns pela postagem
concordo com você que nos somos os grandes culpados para o surgimento desse fenômeno o "estrelismo". particularmente nao convido quem cobra para pregar ou cantar, mesmo que seja 50 reais, pois acredito que o preço jesus Cristo ja pagou na cruz; claro que sei da necessidade de abençoar com ofertas VOLUNTÁRIAS aqueles que pregam ou cantam e vivem apenas para a obra.
Antonio Araujo